TEM QUE ASSISTIR

TEM QUE ASSISTIR

A indústria cinematográfica não para e, muitas vezes, o público nem sabe por onde começar a assistir tanto filme. Por isso, o crítico de cinema Marden Machado (www.cinemarden.com.br) compartilha sua opinião sobre algumas produções.

O TOURO FERDINANDO (Ferdinand – EUA/ 2017)
Direção: Carlos Saldanha
Duração: 108 minutos.

Confesso que fiquei assustado quando soube que o brasileiro Carlos Saldanha, um dos sócios do estúdio americano Blue Sky de animação, transformaria o clássico curta Ferdinando, o touro, produzido pela Disney, em 1938, em um longa-metragem. Amado por gerações e gerações de cinéfilos no mundo todo, o curta original é perfeito em seus concisos oito minutos de duração. Seria um risco muito grande “esticar” aquela história simples e precisa para quase duas horas de filme. Felizmente, Saldanha, diretor do bem-sucedido Rio e criador da série A era do gelo, sabia o que estava fazendo. O touro Ferdinando, versão 2017, expande a premissa que já conhecemos apresentando um passado para o touro que adora cheirar flores, além de apresentar novos amigos e situações. Saldanha costuma lidar com temas familiares em seus filmes. Não é diferente aqui. O touro Ferdinando trata também de outras questões que são caras aos desenhos animados: amizade, tolerância e superação. E o resultado é bastante satisfatório.

VIVA: A VIDA É UMA FESTA (Disney) (Coco – EUA/ 2017)
Direção: Lee Unkrich e Adrian Molina
Duração: 105 minutos

Não é de hoje que a Disney realiza produções que fazem uso de culturas fora dos Estados Unidos. Isso vem desde os anos 1930. O exemplo mais recente é Viva: A vida é uma festa, da Pixar, dirigido em 2017 por Lee Unkrich e Adrian Molina. Este último escreveu o roteiro, junto com Matthew Aldrich, que conta a história de Miguel, um garoto de 12 anos que sonha se tornar um músico famoso. O problema é que a família dele abomina qualquer relação, por menor que seja, com música. Contrariando seus pais, ele termina se envolvendo em uma incrível aventura no mundo do além no Dia dos Mortos, uma das festas mais populares do México. É uma animação de visual deslumbrante. Mas, por melhor que fosse esse deslumbramento, ele, sozinho, não se sustentaria sem uma história à altura. E nesse quesito, o filme também se sai muito bem. Com cores quentes e vibrantes, além de ótimas e grudentas melodias – uma delas, “Remember me”, ganhou o Oscar de Melhor Canção, além do Oscar de Melhor Animação, na cerimônia de 2018. Só me resta deixar um recado importante: tenha uma caixa de lenços à mão, você vai precisar.