AME PAI E MÃE ANTES QUE SEJA TARDE

AME PAI E MÃE ANTES QUE SEJA TARDE

Datas comemorativas como Dia das Mães e Dia dos Pais têm um grande apelo comercial, sem dúvida, mas também ajudam a lembrar a importância da família e dos relacionamentos com aqueles que, em geral, foram as primeiras pessoas que nos amaram. Para ajudar nessa missão, o escritor Fabrício Carpinejar lançou um livro que é um verdadeiro presente para todos que são filhos: Cuide dos pais antes que seja tarde.

Mais do que um livro sobre paternidade, é uma homenagem aos pais do próprio autor, que usa suas experiências pessoais e familiares para levantar, com sensibilidade, temas como a brevidade da vida e o amor. “Acreditamos que os pais são eternos, imutáveis, que estarão próximos quando surgir a necessidade.

Mas eles adoecem e morrem. É uma fatalidade inaceitável, não há como parar a idade, recuar o fim”, alerta Carpinejar.

Em entrevista exclusiva à LER&CIA, Fabrício Carpinejar fala mais sobre a obra, que ele descreve como uma “tentativa desesperada de devolver um pouco do que recebi deles na infância. Pelo menos, serve como um pedido de desculpa”.

LER&CIA | Mais do que um livro sobre pais e filhos, esse é um livro sobre o seus pais. Como você decidiu escrever a obra, como ela nasceu?

Fabrício Carpinejar | Havia algo errado comigo. Sempre que reclamava de meus pais aos filhos, eles diziam que parecia que eu falava de pessoas diferentes daquelas que eles conheciam: os avós são ótimos, pai! Fui descobrindo que não tinha me libertado da visão infantil de meus pais, ainda enxergava os dois como provedores. Os netos são mais generosos do que os filhos, porque estão mais abertos para compreender e julgam menos. Escrevi esse livro como se fosse neto de meus pais.

Você se sente em dívida com seus pais?

Eu me sentia ingrato. Não agradecia o que me ofereceram. Parecia que tinham obrigação de me amar, não identificava o amor deles como uma escolha. Corri atrás do prejuí zo. Hoje agradeço cada pequeno momento que estamos juntos. Brindamos com café.

Como é hoje o relacionamento entre vocês?

Eu demorei muito para ser amigo de meus pais. Eu era autocentrado. Tudo o que eles falavam eu me incluía. Eu me sentia o centro do mundo, como todo filho se sente. Qualquer ponderação vinha como uma ameaça ou uma censura. Não ouvia sem contaminar as palavras deles com a minha vaidade. Atualmente eu sei escutar com distanciamento e discernimento: sem combatê-los. Acolho e valorizo as suas opiniões. Feliz do filho que tem os pais como conselheiros.

Carpinejar com seus pais: “Feliz do filho que tem os pais como conselheiros”.

Olhando para o passado desse relacionamento, há momentos que você se arrepende pela maneira que os tratou ou por ter deixado de fazer algo que poderia ter feito?

Totalmente. Meu livro é um pedido de desculpas pela minha impaciência, pela minha falta de tempo ou por adiá-los sem pensar o quanto sofriam com o meu desinteresse.

Você acredita que há pessoas que nunca mudam seu olhar sobre os pais?

Sim, é triste, mas há filhos que não entendem que aquilo que receberam era o máximo que os pais poderiam dar. Eles não esconderam nada, deram o possível. Se não deram mais, é porque não tinham. Aceitar isso elimina a culpa de nossa vida.

O que precisaríamos mudar quando percebemos que os pais vão embora um dia – talvez muito em breve?

Não brigue com os pais só porque tem razão. A razão não serve para nada. Fique junto mesmo não concordando. O orgulho ocupa o lugar que é do amor. O orgulho é um amor fake. O orgulho só traz separação, não junta ninguém. Jogue o orgulho fora.

O livro é um alerta para essas pessoas também?

É uma advertência. Somos intransigentes com os erros dos pais, é como se eles nunca pudessem errar conosco. Mas eles são humanos, falíveis, imperfeitos, aprendendo com a experiência. Eles vivem aceitando os nossos pedidos de desculpa ao longo da vida, mas dificilmente perdoamos em suas primeiras falhas, não é uma injustiça?

Quais são as características que herdou de seus pais?

Do meu pai, tenho a gargalhada. Da minha mãe, o dom de sonhar de olhos abertos.

Se você conseguisse destacar um, qual é o principal ensinamento que você recebeu da sua mãe e de seu pai?

Do meu pai, recebi um relógio (aproveite o tempo). De minha mãe, recebi um escapulário (jamais perca a fé mesmo nas adversidades).

Seus pais leram o livro? O que acharam?

Estão chorando até hoje. Já não sei que piada posso contar para mudar de assunto.

CONHEÇA O LIVRO

CUIDE DOS PAIS ANTES QUE SEJA TARDE Bertrand Brasil