A GUERRA FRIA EM LIVROS E NOS FILMES

A GUERRA FRIA EM LIVROS E NOS FILMES

Logo após a Segunda Guerra Mundial, o mundo começou a testemunhar o começo de um novo conflito, que ficou conhecido como Guerra Fria. Isso porque os países envolvidos não chegaram – de fato – ao front de batalha. Duelando pela hegemonia política, militar e econômica, tivemos de um lado os Estados Unidos, e, de outro, a União Soviética. O primeiro querendo impor o capitalismo e o segundo, o socialismo.

Para o professor do Departamento de História da UFMG e autor de As universidades e o regime militar (Zahar), Rodrigo Patto Sá Motta, o conflito foi determinante para o desdobramento das relações da época. “A disputa entre o bloco capitalista e o bloco socialista constituiu o principal eixo das relações internacionais por quase meio século. Ela permeou não só as relações políticas e econômicas, mas também a produção cultural (cinema, literatura etc). E gerou uma corrida armamentista que colocou em risco todo o planeta, que viveu sob a ameaça de uma hecatombe nuclear. No caso dos países sob hegemonia capitalista, a Guerra Fria aguçou as mobilizações anticomunistas, o que trouxe importantes desdobramentos. No Brasil, por exemplo, o anticomunismo ajudou a fundamentar – e a justificar – as duas principais ditaduras do século XX.”

O especialista reforça que as consequências da Guerra Fria não ficaram restritas aos mais de 40 anos de duração do conflito: até hoje são determinantes no cenário internacional. “A geopolítica atual segue marcada por heranças da Guerra Fria, como a posição da China e da Rússia como potenciais rivais dos Estados Unidos. É verdade que parte da rivalidade tem raízes independentes ao conflito, tendo mais a ver com interesses estratégicos perenes dessas potências. Mas um certo ranço ainda persiste em algumas esferas e estimula os conflitos entre essas potências”, diz Motta.

O CONFLITO E O MERCADO CULTURAL

Para quem busca mais informações e se interessa pelas discussões que envolvem a Guerra Fria, a literatura e o cinema podem ser boas fontes de conhecimento. O cuidado, entretanto, deve ser o mesmo que é necessário com temas que envolvem política: conhecer o assunto e ter senso crítico. Para o professor, não existe história imparcial. “Muito menos quando tratamos de temas dessa natureza. Todos os autores têm um ponto de vista e certas preferências, ou simpatias (e antipatias)”, observa.

Obras escritas por historiadores costumam ser mais democráticas, no sentido de mostrar diferentes lados. “Um historiador profissional vai tentar controlar a sua paixão e vai mostrar argumentos e pontos de vista diferentes dos seus. Além disso, deve fundamentar suas análises com base em evidências documentais, estando aberto a mudar de opinião caso as fontes contrariem suas premissas iniciais. Para distinguir os bons historiadores dos outros, deve-se procurar essas características, ou seja, equilíbrio na argumentação, boa fundamentação empírica e análises que evitam conclusões simplistas e maniqueístas”, orienta Motta.